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Voçorocas ameaçam Buriticupu e especialista alerta para risco urbano

Voçorocas ameaçam Buriticupu e especialista alerta para risco urbano
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Buriticupu, distante 415 quilômetros (km) de São Luís, é uma cidade cercada por buracos que têm provocado o colapso de ruas, a perda de moradias e colocado milhares de famílias em situação permanente de risco.

Algumas das voçorocas, termo correto para o fenômeno que atinge a cidade, chegam a medir mais de 30 metros de profundidade e engolem casas, ruas e a cada período chuvoso tiram a paz dos pouco mais de 35 mil moradores do município.

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A situação que vem se agravando há pelo menos quatro décadas e fica mais evidente no período de chuvas.


Brasília (DF), 10/03/2026 - Voçorocas. Professor Marcelino Farias. Foto: Marcelino Farias/Arquivo Pessoal
Brasília (DF), 10/03/2026 - Voçorocas. Professor Marcelino Farias. Foto: Marcelino Farias/Arquivo Pessoal
Marcelino Farias explica que a geomorfologia da região contribui para as voçorocas – Marcelino Farias/Arquivo Pessoal

Na avaliação do professor doutor do Departamento de Geociências da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Marcelino Farias a situação do município serve de alerta para o que acontece quando diferentes fatores entram em cena, a exemplo de um terreno frágil, do desmatamento ilegal e da ausência de projetos de drenagem de águas pluviais, entre outros.

“Buriticupu é um caso típico de mau uso do solo, especialmente urbano, que deve ser utilizado como um exemplo a ser evitado em outras realidades, tanto do Maranhão quanto do restante do país”, disse o pesquisador à Agência Brasil.

Originado do tupi-guarani, o termo voçoroca significa buraco grande. O nome é atribuído às grandes escavações do solo provocadas pelas águas das chuvas, entre outros fatores. A supressão da vegetação, com o desmatamento ilegal, entre outros fatores, faz com que a água das chuvas corra pela superfície, criando microcanais. Com o tempo eles vão se ampliando até chegar ao estágio final das voçorocas.

O professor explica que Buriticupu  tem uma confluência de fatores naturais que contribuem muito para a erosão, mas que  o desmatamento ilegal acabou incrementando bastante os processos erosivos.

“Muitas áreas foram desmatadas sem autorização, sem controle, para a implantação da pecuária, e a pecuária hoje é uma das principais causas da erosão na zona rural”.

Agravamento 

Nos últimos três anos a situação vem se intensificando, com inúmeras ruas sendo tomadas pelas crateras. Diante do cenário, o governo federal destinou recursos em 2024 para projetos de drenagem na região, mas as medidas não reverteram o problema. Em fevereiro de 2025, a prefeitura de Buriticupu decretou estado de calamidade pública devido ao agravamento das erosões, que atingem casas e ruas.

Segundo Farias, o desmatamento no entorno do município, a pavimentação sem rede de drenagem, a falta de obra de contenção dentro dos parâmetros técnicos fazem com que a situação se agrave e dificultem a solução do problema. O especialista ressalta que nada de concreto foi feito para combater a erosão.

“As áreas continuam sendo urbanizadas próximo à encosta, as ruas continuam drenando para essas encostas e não há nenhuma obra de drenagem, de contenção da velocidade ou do fluxo de água para resolver o problema”, aponta o professor.

Marcelino Farias explica que a geomorfologia da região, com o relevo ondulado, a cidade cercada por vales e a concentração de chuvas, durante determinado período do ano, contribuem para agravar a situação.

A cidade vem crescendo muito, de acordo com Farias o que piora a situação. “Isso faz com que mais ruas surjam, mais ruas sejam pavimentadas e mais água de esgoto e água pluvial sejam coletadas e direcionadas para a encosta, sem o devido cuidado com o fluxo dessa água para não causar erosão. Isso vai incrementar, então, os processos erosivos já existentes e fazer com que novos processos erosivos surjam”, reiterou.

Caso medidas urgentes e estruturais não sejam adotadas, o cenário aponta para risco de colapso urbano. Entre as medidas apontadas estão soluções baseadas em diagnostico com uso de geotecnologias, em bioengenharia, como retaludamento, revegetação e implantação de sistemas eficientes de drenagem das águas pluviais e do esgoto.

O professor chama atenção para a necessidade de o poder público municipal tomar a frente do processo, inclusive debatendo o crescimento urbano, planejando a ocupação do solo e impedindo que áreas vulneráveis sejam ocupadas.

“O poder público municipal tem que agir imediatamente para conter os processos erosivos. Isso só vai ser possível com a atualização do plano diretor, que vai proibir e controlar o uso de áreas que são vulneráveis à erosão e que não podem ser ocupadas”, defende o professor.

“Também é preciso que haja obras de drenagem efetivas que controlem o fluxo de água nas áreas de encosta, que o esgoto tenha uma destinação correta, não sendo jogado nessas encostas, favorecendo a erosão”, ressaltou.

Prefeitura

A Agência Brasil tentou contato com a prefeitura de Buriticupu e aguarda posicionamento.

Nos últimos dias, há uma referência indireta ao problema das voçorocas no município. Em uma rede social, a prefeitura publicou um alerta, diante do recente grande volume de chuva.

Em 72h, iniciadas no dia 4, foram registrados aproximadamente 114 mm de chuva e a previsão é de que elas intensas continuem.

A nota diz que o município está sob alerta moderado para ocorrências de movimento de massa, emitido pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN). O comunicado chama atenção para o fato de que as constantes chuvas no município podem provocar deslizamentos de barrancos e encostas.

“A orientação do Corpo de Bombeiros é para que a população que reside em área de risco fique atenta a qualquer sinal de perigo, como alagamentos, enxurradas, deslizamentos, desabamentos, trincas em paredes, árvores ou postes inclinados. Caso perceba qualquer sinal, abandone o local imediatamente e procure abrigo fora da área de risco.

Fonte: Agência Brasil

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